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Inteligência artificial vira "professor particular" e ajuda estudantes

Publicado: Segunda, 18 de Junho de 2018, 16h00

O profissional autônomo Kennedy Sophia Junior, 33 anos, é pós-graduado em três cursos presenciais, mas curte mesmo o professor do seu novo curso à distância. O mestre se chama Paul e não trata-se de um estrangeiro morando em São Paulo. Na verdade, nem gente o professor é.

Turbinado pela plataforma Watson da IBM, Paul é uma inteligência artificial que cumpre o papel de um professor 24 horas por dia, respondendo às dúvidas dos alunos e identificando a melhor forma de aprendizado com base na personalidade de cada um - uma onda já encontrada em algumas escolas do Brasil.

 

Relatórios sobre alunos

O Paul gera três relatórios sobre o aluno: traços de personalidade, que consideram introversão e extroversão, por exemplo; melhor método de aprendizagem; e grau de conhecimento sobre o tema, que pode ajudar a pular algumas etapas – algo que não é possível em uma sala de aula.

Após mapear o perfil do aluno, o professor sugere métodos de aprendizagem em vídeos, textos, infográficos ou outros aspectos que possam ajudá-lo a captar mais informações. "Criamos um algoritmo próprio que identifica a melhor forma de aprendizado de acordo com o perfil da pessoa", explica Adriano Mussa, diretor acadêmico e de inteligência artificial na escola de negócios Saint Paul, casa do professor Paul.

Caso a inteligência artificial não consiga solucionar a dúvida no momento, um professor é notificado para que a ferramenta seja "atualizada".

"A grande diferença é que o Paul usa computação cognitiva, não é chatbot e nem pesquisa de informações, como os auxiliares de smartphones, Siri ou Google Assistante", afirma o diretor de tecnologia da Stefanini Scala, Filipe Cotait.

Se o curso tem matemática financeira e o aluno já estudou ou já trabalha com isso, o Paul orienta que ele avance o tema. No entanto, todo o conteúdo programático será avaliado. "A primeira reação dos professores foi de medo e desconfiança. No entanto, hoje temos um grupo que não têm outra
função que não seja treinar o Paul", afirma Mussa.

 

Professor continua no processo

A escola garante que o Paul não trouxe "clima de competição" aos professores. "Eles têm uma nova atribuição, que é ensinar a inteligência artificial. Há questões novas o tempo inteiro, novas dúvidas que precisam ser respondidas. O professor não só ensina, mas estuda continuamente e por isso o Paul
precisa se transformar sempre", explica.

O primeiro curso a ter contato com o Paul foi Contabilidade, seguido de Inovação e Criatividade. Nesse momento, os alunos de Administração e Demonstrativos Financeiros começam a conhecer a novidade. Com isso, é esperado que mais de 20 mil alunos sejam atendidos. A meta da escola é
estender para mais de 100 cursos em três anos.

"A tecnologia tem mais sucesso quando empodera o professor para fazer as mesmas coisas, mas de forma mais eficiente", diz Claudio Sassaki, cofundador da Geekie, plataforma de inteligência artificial voltada para a educação.


Horizonte é promissor

A inteligência artificial tem revolucionado diversos setores, incluindo a educação, justamente por decifrar processos, muitas vezes, imperceptíveis sob a perspectiva humana. "A grande oportunidade é poder cruzar dados diversos e criar conclusões assertivas", afirma o consultor de tecnologia e inovação
do sistema de ensino Poliedro, Massayuki Yamamoto.

Ele explica que, no passado, as escolas se preocupavam em ensinar conteúdos para o aluno. Hoje, as informações estão disponíveis na internet, até mais atualizadas. "O papel do professor é ensinar ao aluno como aprender. Sala de aula invertida é fazer com que o aluno comece a buscar o
aprendizado", acrescenta.

Por meio da computação cognitiva, o professor consegue identificar não só que o aluno não acertou uma questão, mas a razão do erro, e sugerir soluções. "Dá informações sobre o que o estudante pensa e como orientá-lo melhor na jornada do aprendizado", afirma o especialista do Poliedro.


Ajuda com o Enem

A Geekie colocou no mercado duas plataformas com inteligência artificial: uma para alunos que queiram se preparar para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e outra para as escolas.

A primeira identifica o perfil do estudante, conteúdo a ser aprendido e disponibilidade de horários para traçar um cronograma de estudos personalizado. A segunda visa a automatizar o trabalho de professores, em substituição ao material didático tradicional.

"O professor manda uma tarefa via plataforma, o aluno responde e automaticamente já é possível identificar o que ele aprendeu ou não. Eu crio um plano de reforço personalizado, com base no que ele precisa aprender. Não é necessário esperar uma prova para testar os conhecimentos", explica
Sassaki.

Para medir a eficácia, eles compararam o desempenho de um grupo de alunos que estudava em métodos tradicionais e outro que tinha acesso a conteúdo e metodologia personalizada pela plataforma. "O ganho de eficiência foi cinco vezes maior do que com plano de estudo genérico para todos",
afirma.


Robô ensina crianças a falarem inglês

Na rede de ensino de idiomas Minds, Vicente Queiroz, franqueado de Fortaleza (CE) desenvolveu um robô do tamanho médio de uma criança de seis anos, que fala inglês, anda e conversa com os alunos - tudo turbinado por inteligência artificial.

O empresario estudou engenharia e conseguiu colocar o diploma em prática dando vida ao robô, batizando de Bloog. "Apoiamos com um aporte financeiro a o protótipo foi criado. Ainda não conseguimos colocar o android em todas as mais de 500 salas de categoria kids, que temos na rede, porque ele está sendo aprimorado", explica a executiva-chefe da Minds, Leiza Oliveira.

"A criação foi colocada em teste na unidade do Ceará e os rendimentos dos alunos aumentaram em 35%. Muitos conseguiram mudar mais rápido de nível no curso. O robô ajuda os professores a coordenar a sala e até aconselhar a turma a ficar em silêncio nos momentos importantes", explica

 

Chegar na escola pública é desafio

Ainda presente majoritariamente em escolas particulares, o grande desafio da inteligência artificial no Brasil, na visão do executivo, é alcançar o aluno da rede pública. "O mecanismo para escolas públicas comprarem material didático é um limitador para inovação e soluções tecnológicas", Sassaki.

Além disso, há questões mais básicas que também precisam ser resolvidas. Na visão do gerente de pesquisa e consultoria de consumer devices da IDC Brasil, Reinaldo Sakis, as escolas brasileiras precisam recuar algumas casas no tabuleiro antes de testemunhar a inteligência artificial se tornar um professor integral.

"Para ter acesso, precisa ter um meio. Ainda há muitas escolas sem o computador adequado que dê acesso a isso e, quando têm, falta a banda larga", diz.

 

Publicado por Notícias Uol

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